Comissão da Câmara debate observatório sobre HIV, sífilis e outras ISTs entre mulheres
Publicado em 29/06/2026, às 21:00
Atualizado há 4 dias
Dirigir por uma avenida desconhecida com um aplicativo de GPS travado é o caminho mais rápido para cair direto em um buraco profundo. Na saúde pública brasileira, a falta de dados detalhados sobre o atendimento a mulheres vulneráveis funciona exatamente assim.
Para traçar um mapa confiável e desviar desses obstáculos, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados debateu na terça-feira, 30/06/2026, a criação de um observatório focado em monitorar a saúde feminina. O plano é usar emendas parlamentares (recursos do orçamento federal indicados por deputados) para tirar a ideia do papel, conforme sugeriu a deputada Erika Kokay (PT-DF).
Na prática, esse painel vai acompanhar de perto as ações contra HIV, sífilis, tuberculose, hepatites virais e HTLV (vírus que ataca o sistema de defesa do corpo). Sem esse GPS atualizado, as equipes médicas seguem às cegas, o que castiga principalmente as mulheres das regiões Norte e Nordeste.
A falta de informações também expõe uma desigualdade profunda. Dados apresentados por Pâmela Gaspar, coordenadora no Ministério da Saúde, mostram que 61% das mulheres negras não teriam contraído sífilis caso recebessem o mesmo nível de prevenção destinado às mulheres brancas.
O que muda na prática
O ponto-chave é que o governo poderá direcionar as verbas de saúde exatamente para onde o asfalto do SUS está mais esburacado. Com dados atualizados, o país pode recalibrar a rota para cumprir as seguintes metas:
- Prevenção ampliada: Triplicar o total de mulheres com acesso a terapias preventivas até 2027.
- Recorte de gênero: Incluir as necessidades específicas das mulheres nas estratégias do programa federal Brasil Saudável.
- Inclusão científica: Assegurar a presença feminina em testes clínicos de novas tecnologias de prevenção, demanda de Carla Almeida, do Coletivo Feminista de Luta Contra a Aids Gabriela Leite.
Além disso, o observatório joga luz sobre demandas que costumam ficar fora do mapa. Hoje, faltam pesquisas para quem convive com o HIV há décadas e sofre com a lipodistrofia (distribuição anormal de gordura pelo corpo), alerta Silvia Aloia, do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas. No fim das contas, recalibrar o GPS da saúde é o único caminho para garantir que os tratamentos cheguem rápido a quem mais precisa.

