Diploma não basta: Lula sanciona lei do Enamed, que estabelece nota mínima para novos médicos

Lei sancionada em 6 de novembro cria três provas ao longo do curso. Quem ficar abaixo da nota recebe registro restrito, só para pesquisa supervisionadaLei sancionada cria três provas ao longo do curso. Quem ficar abaixo da nota recebe registro só para pesquisa supervisionada

Por:
Fernando David

Publicado em 06/11/2026, às 17:22

Atualizado há 21 horas

Diploma na mão já não vai bastar para atender. Quem entrou numa faculdade de medicina a partir de 19 de junho de 2026 só vai poder examinar pacientes, receitar remédios e assinar atestados depois de alcançar uma nota mínima no Enamed, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica.

A regra virou lei em 6 de novembro, com a sanção do texto aprovado pelo Congresso em 15 de outubro. Ela nasceu de uma medida provisória publicada em junho e ganhou o apelido de “OAB da Medicina”, por lembrar o exame que advogados fazem antes de exercer a profissão.

Como vai funcionar a prova?
O Enamed passa a ser feito em três etapas, no fim do 2º, do 4º e do 6º ano do curso. A nota final é a média das três, e a última pesa mais. Quem não atingir o mínimo pode refazer a terceira etapa nas edições seguintes. O exame é aplicado pelo Ministério da Educação (dado da nossa apuração: regras do texto aprovado, segundo a Agência Senado).

E quem não passar?
Quem se formar sem a nota recebe a Inscrição de Egresso de Medicina. Esse registro permite só atividades técnico-científicas e de pesquisa, sob supervisão. Não dá para atender pacientes, prescrever, emitir laudos ou atestados, nem ocupar cargo de médico (dado da nossa apuração: Agência Senado).

Por que isso importa
A prova não é nova. Desde 2025, o Enamed já avaliava os cursos de medicina, sem barrar ninguém. O retrato da primeira edição ajuda a entender a mudança.

Em 2025, 89.024 estudantes e médicos fizeram o exame. Entre os formandos, 67% atingiram o nível considerado proficiente. Ou seja: um em cada três saiu da faculdade abaixo do esperado (dado da nossa apuração: resultados divulgados pelo Inep em 19 de janeiro de 2026).

O desempenho varia com o tipo de faculdade. Nas federais, 83,1% dos avaliados foram proficientes. Nas privadas com fins lucrativos, 57,2%, segundo o Inep.

Dos 304 cursos sob supervisão direta do Ministério da Educação, 99 ficaram nas faixas insatisfatórias, com menos de 60% de alunos proficientes. Oito tiveram o ingresso de novos alunos suspenso. Outros 13 perderam metade das vagas, segundo o Inep.

O que ainda falta definir?
A nota mínima ainda não existe. Ela será fixada, junto com o peso de cada etapa, pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica, e publicada antes das provas (dado da nossa apuração: Agência Senado).

Quem já é médico, ou já estava matriculado antes de 19 de junho de 2026, segue a regra antiga. A nota final também poderá ser usada na seleção para residência de acesso direto.

A lei ainda obriga as faculdades que usam unidades do SUS em aulas práticas a oferecer contrapartidas, como recursos, obras e serviços.

A mudança no consultório chega devagar: a prova que decide o registro acontece no fim do 6º ano. O que muda já é a vitrine. O MEC passa a divulgar todo ano o resultado de cada instituição, em portal público, por pelo menos dez anos, e as faculdades terão de exibir as três últimas edições.

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