Água-viva imortal reverte o próprio ciclo de vida e inspira pesquisas em medicina regenerativa

A Turritopsis dohrnii reinicia o ciclo de vida sob estresse; cientistas mapeiam seus genes em busca de pistas para tratar infartos, AVCs e lesões graves.

Por:
BBC HEARTH

Publicado em 23/10/2026, às 08:21

Atualizado há 5 horas

Água-viva imortal reverte o próprio ciclo de vida e inspira pesquisas em medicina regenerativa

A minúscula água-viva Turritopsis dohrnii possui uma habilidade única na natureza: ela é capaz de desafiar a morte. Quando sofre estresse, passa fome ou é ferida, a criatura se encolhe até o fundo do mar, transforma suas células em um estágio jovem (pólipo) e reinicia todo o seu ciclo de vida.

Por causa desse processo contínuo de rejuvenescimento, o animal ganhou o apelido de "água-viva imortal" e se tornou o foco de pesquisadores de todo o mundo.

Como funciona o rejuvenescimento do animal?

Na maioria das espécies, inclusive nos humanos, as células-tronco se transformam em tecidos específicos (como músculos ou nervos) e permanecem assim até envelhecer e morrer.

Na Turritopsis dohrnii, acontece um fenômeno raro chamado transdiferenciação: as células adultas regridem para o estado de células-tronco e se reprogramam em novas estruturas, gerando um novo organismo a partir de um indivíduo adulto.

Aplicações na saúde humana

O objetivo dos cientistas não é criar uma "fórmula da juventude" para humanos, mas aplicar os segredos genéticos do animal na medicina regenerativa. Mapeando as "chaves moleculares" que ativam o reparo celular, médicos esperam criar tratamentos para:

  • Recuperação de órgãos: regenerar tecidos do coração lesionados por infartos ou áreas do cérebro afetadas por AVCs;
  • Doenças neurodegenerativas: conter ou reverter danos causados por enfermidades como o Alzheimer;
  • Cicatrização e visão: acelerar a cura de ferimentos graves e tratar perdas visuais ligadas à idade.

Estudos genéticos já identificaram que o DNA dessa água-viva possui múltiplas cópias de genes voltados para o reparo de danos no código genético e para a proteção dos telômeros (estruturas que protegem o DNA do desgaste celular).

Apesar do potencial promissor, pesquisadores ressaltam que as aplicações práticas em seres humanos ainda estão em fase inicial de investigação.

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