Estudo revela que 87,3% das notícias de saúde nas redes são falsas

Relatório do Observatório Lupa analisou postagens de 2017 a 2026 e concluiu que 87,3% das informações sobre saúde nas redes são falsas, com forte uso de alarmismo e falsos especialistas.

Por
Lupa

27/10/2026, às 21:00

Estudo revela que 87,3% das notícias de saúde nas redes são falsas

Quase nove em cada dez informações sobre medicina, tratamentos e bem-estar que circulam nas redes sociais brasileiras contêm dados falsos ou enganosos. É o que aponta o relatório "Raio-X da Desinformação em Saúde", elaborado pelo Observatório Lupa com suporte da Afya.

A pesquisa mapeou 764 alegações publicadas em plataformas digitais entre 2017 e meados de 2026. Do total de checagens realizadas no período, 87,3% foram classificadas como comprovadamente falsas — o que representa uma média superior a um boato de grande alcance por semana.

As estratégias mais usadas para enganar o leitor

O estudo revelou que os criadores de fake news utilizam táticas sofisticadas de persuasão para dar aparência de veracidade aos conteúdos. As quatro abordagens mais recorrentes são:

  1. Falsa autoridade médica ou científica (21,5%): Inclui a invenção de especialistas, falas fora de contexto ou atribuição de declarações inverídicas a profissionais renomados.

  2. Exploração do medo e linguagem alarmista (17,0%): Alertas urgentes que associam produtos cotidianos ou vacinas a câncer, infertilidade e morte.

  3. Distorção de pesquisas e dados (15,7%): Manipulação de estatísticas reais para tirar conclusões exageradas.

  4. Promessa de curas milagrosas (12,5%): Soluções caseiras simples para doenças graves e complexas.

Liderança do WhatsApp e o uso de IA

O aplicativo de mensagens WhatsApp figurou como o principal canal de propagação de desinformação em saúde, estando presente em 70,5% das checagens analisadas pelo levantamento.

A pesquisa também alertou para a modernização das mentiras: além das tradicionais receitas de chá e sumos caseiros, a desinformação agora utiliza vídeos manipulados por inteligência artificial (deepfakes) e anúncios pagos para alcançar milhões de usuários.

Pesquisadores reforçam que, para evitar cair em golpes ou adotar tratamentos perigosos, o cidadão deve sempre checar se a informação foi publicada em portais jornalísticos credenciados e consultar seu médico de confiança.

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