Estudo brasileiro descobre mecanismo protetor em bebês com hérnia no diafragma

Pesquisa brasileira da USP e Unesp revela que a pressão alta no pulmão de recém-nascidos com hérnia diafragmática é um mecanismo de defesa, fazendo um alerta sobre o uso de vasodilatadores na UTI.Pesquisadores da USP e Unesp mostram que hipertensão pulmonar em bebês com hérnia diafragmática atua como escudo protetor.

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Redação fisnews

Publicado em 06/11/2026, às 09:30

Estudo brasileiro descobre mecanismo protetor em bebês com hérnia no diafragma

Uma pesquisa brasileira desenvolvida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicada na revista científica Scientific Reports esclareceu a causa da piora súbita e frequentemente fatal de recém-nascidos com hérnia diafragmática congênita (HDC). O estudo desvendou um mecanismo biológico inédito e acendeu um alerta para as condutas terapêuticas adotadas nas unidades de terapia intensiva neonatais.

A hérnia diafragmática congênita é uma malformação rara que ocorre durante a formação do embrião, quando uma abertura no diafragma permite que órgãos abdominais subam para o tórax, comprimindo os pulmões e impedindo o desenvolvimento adequado do sistema respiratório. A condição afeta cerca de um a cada 6 mil nascidos vivos no Brasil.

Mecanismo protetor e alerta nas UTIs

Ao investigar a fisiopatologia da doença em modelos animais e amostras biológicas, os pesquisadores brasileiros identificaram que o pulmão comprimido apresenta uma proliferação anormal de capilares não funcionais — pequenos vasos sanguíneos que não realizam a troca de oxigênio por gás carbônico.

A descoberta rompe com um paradigma consagrado na literatura médica global. A elevação da pressão arterial pulmonar (hipertensão pulmonar), antes considerada apenas uma complicação grave, funciona na verdade como um escudo temporário para evitar que o sangue inunde a rede de vasos não funcionais. Ao restabelecer a circulação com medicamentos vasodilatadores tradicionais na UTI, corre-se o risco de anular essa proteção biológica e provocar congestão pulmonar fatal.

O fim da fase de estabilidade

O trabalho financiado pela Fapesp também explica o encerramento da chamada "lua de mel", período de breve estabilidade respiratória do recém-nascido que costuma ser seguido por uma rápida degradação do quadro clínico. A hipertensão pulmonar já está presente durante esse intervalo de trégua como reflexo dos vasos anormais, e não como a causa primária da piora.

O agravamento do bebê ocorre quando as artérias pulmonares perdem a elasticidade e se dilatam, levando ao acúmulo de sangue no órgão e ao vazamento de plasma. Essa perda fluida reduz a capacidade de bombeamento do coração, desencadeando um choque circulatório refratário.

Diagnóstico pré-natal e tecnologias de suporte

No Brasil, a detecção da má-formação é realizada durante o pré-natal por meio de exames de ultrassonografia. Em situações graves, é possível intervir ainda durante a gestação utilizando a cirurgia fetoscópica de oclusão traqueal para estimular o crescimento dos pulmões.

Após o nascimento, além da correção cirúrgica do diafragma e da ventilação mecânica, a criança pode necessitar do suporte de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) para permitir a recuperação dos órgãos. Os pesquisadores brasileiros pretendem prosseguir com estudos laboratoriais para buscar novas abordagens farmacológicas que atuem diretamente na regulação dos vasos pulmonares.

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