Inovação & Tecnologia

Bolsas de estudo ganham R$ 65 milhões para mudar a cara da ciência

O investimento inédito do governo federal foca em mulheres, negros e indígenas da escola pública até a pós-graduação no exterior.

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Publicada em 30 de junho, 2026.

Atualizada em 1 de outubro, às 19:20.

Bolsas de estudo ganham R$ 65 milhões para mudar a cara da ciência
Ministério da Ciência, Tecnologia e InovaçãoMCTI

Fazer pesquisa científica no Brasil sem diversidade é como tentar pintar a rua inteira para a Copa do Mundo com apenas três vizinhos ajudando. O trabalho demora o triplo e o resultado final não reflete a cara do bairro inteiro.

Para mudar essa realidade, o governo federal liberou R$ 65 milhões para apoiar cientistas que historicamente ficam fora do orçamento. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), junto com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), abriu cinco seleções públicas focadas em gênero e raça.

A intenção é colocar mulheres, negros, indígenas e povos tradicionais na liderança de projetos científicos. De acordo com a ministra Luciana Santos, essa mudança no modelo de financiamento garante que os estudos científicos gerem soluções que realmente conversem com a realidade da população.

Na prática, o dinheiro atende desde quem está começando na escola até quem busca o topo da carreira acadêmica. O maior investimento, de R$ 30,24 milhões, financia o Projeto InspirAÇÃO, apoiado pelo Cenpes (Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras), que paga bolsas ATP-B (um tipo de auxílio técnico para iniciação científica) de R$ 560 mensais para estudantes negras do ensino médio pesquisarem energia.

Para impulsionar a presença feminina nas áreas de exatas, o Programa Asas para o Futuro destina R$ 7,55 milhões para preparar 3.520 jovens em Stem (sigla que reúne ciência, tecnologia, engenharia e matemática) com benefícios mensais de R$ 300.

Já as pesquisadoras de alta performance ganham asas internacionais com a Chamada Atlânticas (Beatriz Nascimento), que reserva R$ 4,92 milhões para enviar doutorandas e pós-doutorandas negras, indígenas, quilombolas e ciganas para o exterior. Paralelamente, o Programa Lélia Gonzalez investe R$ 5 milhões em pesquisas sobre desigualdades sociais, liberando até R$ 250 mil por proposta aprovada.

A estrutura do setor também ganha fôlego: a Rede Nacional de Pesquisa em Igualdade Racial, sob coordenação da professora Nilma Lino Gomes (UFMG), conta com R$ 15 milhões. Além disso, o Sinapir (Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial) recebe R$ 1 milhão para sua estruturação, e o Programa de Ação Afirmativa reserva R$ 210 mil para conceder sete bolsas de R$ 30 mil para preparar mulheres negras de baixa renda para a carreira diplomática.

O que muda na prática

Com mais diversidade nos laboratórios, a produção científica do país ganha novas perspectivas para resolver problemas históricos. O suporte financeiro direto evita que jovens talentos abandonem a pesquisa por falta de renda.

  • Foco do investimento: bolsas de estudo e verbas de fomento focadas em diversidade e inclusão
  • Público beneficiado: alunas negras, indígenas, quilombolas, ciganas e de comunidades tradicionais
  • Aporte total: R$ 65 milhões aplicados diretamente em editais de fomento científico
  • Parceiros principais: MCTI, CNPq, Capes e Petrobras

No fim das contas, uma rua bem pintada só fica bonita quando todo mundo pode segurar o pincel. A ciência brasileira ganha força quando reflete exatamente a cara do seu povo.

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