Leishmaniose tegumentar: Fiocruz cria modelo 3D de pele para acelerar testes
Publicada em 29 de junho, 2026.
Atualizada em 17 de setembro, às 18:10.

Quando o tratamento da leishmaniose tegumentar começa a esbarrar em limitações como toxicidade e efeitos adversos, a lógica muda: antes de levar uma ideia para dentro do corpo, os pesquisadores querem checar como ela se comporta na “fase prova”. Na prática, isso vira um modelo 3D de pele humana para testar novos compostos em laboratório.
O projeto está sendo desenvolvido por pesquisadores do Brasil, Japão e Estados Unidos, com participação da Fiocruz, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade de Nagasaki e da Universidade de Nova York.
A ideia central é reproduzir, em laboratório, tanto características da pele humana quanto a resposta imunológica ao parasita que causa a doença. Para isso, a equipe pretende construir estruturas tridimensionais usando um tecido formado a partir de diferentes tipos de células humanas, simulando o tecido cutâneo (o local da pele onde a infecção aparece).
O objetivo é direto: com o modelo pronto, a equipe pretende infectar o tecido com o parasito e medir a reação a moléculas previamente selecionadas por pesquisadores japoneses. Além de orientar a escolha dos compostos, o trabalho também deve ajudar a entender a interação entre parasita e hospedeiro.
O que muda na prática
Pensa como um treino em “campo” antes do jogo. Em vez de começar a correr atrás do que funciona só nos testes seguintes, a triagem entra cedo: a seleção dos compostos está sendo conduzida na Universidade de Nagasaki, onde milhares de moléculas são avaliadas para identificar as que têm atividade contra o parasito.
Em setembro, Patrícia d’Emery deve fazer uma missão científica na instituição japonesa. A viagem serve para acompanhar a etapa final dessa seleção e participar de experimentos que vêm antes dos testes nos modelos desenvolvidos em Pernambuco.
No Brasil, a coordenação do estudo fica com Patrícia d’Emery, da Fiocruz Pernambuco (no Núcleo de Plataformas Tecnológicas). O grupo também inclui professores e pesquisadores como Maria Carolina Castro (Centro Acadêmico de Vitória, CAV/UFPE), Fabrício Oliveira Souto (Instituto Keizo Asami, iLIKA/UFPE) e Valéria Pereira Hernandes (Departamento de Imunologia da Fiocruz PE).
Depois das fases iniciais, a continuidade passa por estudos em modelos animais, com colaboração da Universidade de Nova York. Esses experimentos estão planejados para ocorrer após a seleção dos compostos mais promissores.
- Ponto-chave: criação de um modelo 3D de pele humana para testar compostos contra a leishmaniose tegumentar
- Onde acontece: triagem na Universidade de Nagasaki e etapas em Pernambuco com coordenação da Fiocruz Pernambuco
- Por que importa: limitações atuais ligadas a toxicidade, efeitos adversos e resistência terapêutica
- Próximo marco: missão em setembro para acompanhar a fase final da seleção
No fim, é o “e daí pra mim?” da pesquisa: quanto melhor a triagem, mais rápido o caminho para identificar o que merece seguir, reduzindo tropeços desde o começo da avaliação de tratamentos.
