Transplante de órgãos bate recorde histórico em Sergipe após reorganização da fila

O crescimento no número de doadores agiliza cirurgias complexas e diminui o tempo de espera na rede pública de Sergipe

Publicado em 28/05/2026, às 21:00

Atualizado há 1 mês

Transplante de órgãos bate recorde histórico em Sergipe após reorganização da fila
Saúde

Imagine entrar em uma padaria cheia de gente na hora do pão quente. Se cada cliente tentar a sorte direto no balcão de forma confusa, ninguém se entende. Mas, quando um painel eletrônico organiza as senhas, o atendimento flui de forma rápida e justa. Na prática, é esse tipo de organização que começou a acelerar a fila de quem precisa de uma cirurgia de transplante em Sergipe.

O estado registrou a marca de 17 transplantes de rim nos primeiros quatro meses de 2026. Para entender o tamanho do salto, entre os anos de 1986 e 2015 o território sergipano realizava uma média tímida de apenas quatro cirurgias desse tipo por ano.

O motor que faz esse sistema funcionar de maneira coordenada é a Central Estadual de Transplantes, ligada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), que completa 26 anos de existência. Antes dela, cada equipe médica buscava doadores por conta própria, o que descentralizava o processo. Hoje, a distribuição respeita regras técnicas transparentes, como compatibilidade genética e tempo de espera.

O que muda na prática

A maior eficiência em conseguir órgãos altera o dia a dia dos hospitais e transforma a realidade de pacientes como José Laureano dos Santos. Morador de Lagarto, ele lidava desde a infância com as dores da estenose renal (condição que compromete o funcionamento dos rins). Após passar anos em sessões de hemodiálise (procedimento para filtrar o sangue), ele entrou na lista e conseguiu o transplante em apenas uma semana no Hospital Cirurgia.

O balanço recente de captações demonstra o novo ritmo do atendimento na saúde pública:

  • Doadores ativos: 25 doadores registrados entre 1º de janeiro e 22 de maio de 2026, número superior aos 20 registrados no mesmo período do ano anterior
  • Órgãos captados: 3 corações, 34 rins e 16 fígados obtidos em 2026, contra 1 coração, 19 rins e 11 fígados em 2025
  • Estrutura de apoio: Fortalecimento da Organização de Procura de Órgãos (OPO) e do Banco de Olhos de Sergipe (Bose) para dar suporte médico

O ponto-chave para manter esse fluxo ativo é a decisão dos familiares, já que a lei brasileira exige a autorização de cônjuges ou parentes de até segundo grau para a doação ocorrer.

De acordo com o coordenador da central estadual, Benito Fernandez, o principal obstáculo atual é a conscientização, trabalhada em campanhas como "Educar para Doar", "É Dando que se Recebe" e "Caminhando Juntos". Afinal, a probabilidade de uma pessoa precisar de um órgão ao longo da vida é bem maior do que a de se tornar uma doadora.

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