Einstein e Ministério da Saúde criam IA para diagnosticar doenças de pele no SUS
Publicado em 05/11/2026, às 08:40

O Hospital Israelita Albert Einstein e o Ministério da Saúde desenvolveram uma plataforma de inteligência artificial criada para auxiliar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) no diagnóstico precocemente de doenças de pele negligenciadas e lesões dermatológicas. Desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), o projeto CUTIS-AI combina análise de imagens com dados clínicos e sociais de pacientes brasileiros.
A tecnologia foi desenvolvida com base no mapeamento de 1.448 pacientes em dez unidades da Federação. O foco principal está no diagnóstico de sete condições prioritárias: hanseníase, leishmaniose cutânea, esporotricose, cromoblastomicose, tuberculose cutânea, lobomicose e lesões causadas por picadas de aranha-marrom (acidentes loxoscélicos).
Diversidade e realidade brasileira no banco de dados
Para garantir a eficácia do sistema nas diferentes regiões do país, o acervo reuniu mais de 4 mil imagens validadas de lesões. As fotos contemplam todos os fototipos de pele, com predominância de pessoas de pele morena ou negra (79%) e moradores de áreas urbanas (69,1%). Os estados de Santa Catarina, Amazonas e Pará concentram 77,7% dos casos analisados.
O levantamento também registrou determinantes sociais de saúde: quase 20% dos participantes não tinham acesso a água tratada na residência. Essa diversidade de variáveis epidemiológicas e ambientais foi integrada ao sistema para que a inteligência artificial responda com precisão à realidade da população atendida na rede pública.
Como funciona o aplicativo e precisão dos testes
O CUTIS-AI funciona por meio de um aplicativo móvel projetado especificamente para a rotina da Atenção Primária à Saúde. A ferramenta possui funcionalidade offline, permitindo que profissionais de saúde realizem a triagem mesmo em locais sem conectividade à internet. Assim que o dispositivo encontra sinal, as informações são sincronizadas com um painel central de monitoramento epidemiológico.
A inteligência artificial opera através de dois modelos integrados:
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Visão Computacional: Analisa os padrões visuais e as características das fotos das lesões.
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Análise Clínica: Processa 12 variáveis epidemiológicas e sintomas do paciente.
Nos testes preliminares, a combinação dessas duas frentes alcançou uma taxa de assertividade de 95,8% na identificação correta das condições pesquisadas e na diferenciação de outras 104 doenças dermatológicas.
Próximos passos e transferência ao SUS
O projeto passa por validação em condições reais de uso em centros de saúde colaboradores. As análises dessa etapa vão embasar o processo de regularização da tecnologia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A transferência definitiva da tecnologia para o Ministério da Saúde está prevista para dezembro, permitindo a futura expansão do aplicativo para unidades de saúde de todo o país.
