Vênus gira ao contrário por causa de marés e atmosfera, e não de colisão, diz estudo do IAG-USP

Estudo propõe que interação entre fatores gravitacionais e atmosféricos inverte o sentido de rotação do planeta, fenômeno que pode ser comum em exoplanetas na zona habitável.

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Agência FAPESP

Publicado em 18/06/2026, às 21:00

Atualizado há 4 dias

Vênus gira ao contrário por causa de marés e atmosfera, e não de colisão, diz estudo do IAG-USP

Cientistas brasileiros do IAG-USP explicaram por que Vênus gira no sentido oposto ao da Terra: não precisou de colisão cósmica nenhuma. O trabalho aponta que a rotação retrógrada nasce de uma briga contínua entre marés gravitacionais e efeitos térmicos da atmosfera.

De um lado, a atração do Sol gera marés que puxam o planeta pra um estado de sincronização com o movimento orbital. Do outro, a atmosfera de Vênus é tão densa que, ao ser aquecida de forma desigual pela radiação solar, ela cria deformações e um torque atmosférico que acelera a rotação no sentido contrário.

O detalhe que destrava a história é o “como chegou lá”: o estudo diz que o planeta passa por uma bifurcação em forquilha (pitchfork bifurcation). Sem uma atmosfera significativa, existiria um único estado estável. Com a influência atmosférica crescendo, o sistema perde estabilidade e se desdobra em dois novos estados estáveis, e um deles pode evoluir até virar rotação retrógrada.

O pesquisador Sylvio Ferraz Mello, professor do IAG-USP e autor principal, resume a ideia: não é um evento instantâneo tipo “colisão e pronto”. É um processo contínuo, sustentado pela própria atmosfera. E, se Vênus ficasse sem atmosfera, as marés sozinhas fariam o planeta voltar à rotação direta em menos de 1 milhão de anos.

Por que isso é importante

  • A explicação troca o “acidente cósmico” por um mecanismo previsível, o que ajuda a modelar outros planetas com atmosferas parecidas
  • O estudo sugere que rotação retrógrada pode ocorrer com mais frequência em exoplanetas na zona habitável do que a gente imaginava
  • Isso muda como a ciência interpreta a diversidade de planetas já observados

No fim, Vênus não é um mistério quebrado do Universo. É só o Universo fazendo conta — e a atmosfera ganhou a briga.

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